domingo, 7 de fevereiro de 2021

Meu corpo, minhas regras: A escolha pela cesárea

Ser mulher não é fácil mesmo! Mal saio de um dilema e já me encontro em outro. Sempre que alguém me pergunta se minha filha vai nascer de parto natural ou de cesárea, já preparo mil justificativas na minha cabeça antes de responder: CESÁREA!

Em uma sociedade tão machista e patriarcal, existem inúmeras regras implícitas, que não precisam ser ditas, porque simplesmente sabemos. Até porque, demorou uma vida inteira pra introjetar em nós tantos preconceitos, que chegamos a duvidar que eles não estavam ali desde sempre, sendo tão nossos.

Ninguém precisou me falar (ao menos não clara e diretamente), mas eu sempre entendi o recado. Pra ser uma mãe, de verdade, você precisa ter seu bebê de parto normal.

Mas esse nunca foi um desejo meu. Passar por toda essa dor e sofrimento, quando há outras opções disponíveis, não é algo que me deixe empolgada. Simplesmente penso não ser necessário.

Nessa hora, os defensores do parto natural vão dizer: mas é mais saudável para o bebê e para a mãe, a recuperação é mais rápida, há uma conexão maior entre a mãe e o filho neste momento.

E eu simplesmente respondo: talvez seja, e que bom que há essa opção, para quem se sentir confortável com a escolha.

Acho incrível se é uma decisão da mulher parir dessa forma, e respeito. Só não é uma escolha minha, e eu também espero ser respeitada por isso, ao invés de me sentir diminuída como mulher e como mãe, por preferir a cesárea.

E foi exatamente assim que me senti por algum tempo. Julgada, criticada. Sobretudo porque nos últimos anos, tenho tentado ser mais consciente do meu lugar e do meu papel no mundo, procurando ser mais ecológica, deixando de comer carne por alguns meses, optando por utilizar fraldas de pano modernas na minha filha.

Até por estar nessa vibe mais “naturalista”, me incomodava o fato de que, de forma alguma, eu cogito ter um parto dito natural. Mas, como num estalo, numa noite dessas, percebi que essa decisão tem muito mais a ver comigo.

Nunca acreditei que o sofrimento seja um mal necessário. Ao contrário, penso que nascemos para ser feliz, descobrir, aprender, da melhor forma possível. E essa visão, muitas vezes, contraria os fortes preceitos religiosos arraigados na nossa sociedade, na qual o sofrimento é supervalorizado como forma de espiar os pecados, e onde, mesmo após 2021 anos, os cristãos ainda não retiraram Jesus Cristo da cruz.

Nesse contexto, quando uma mulher engravida, obviamente, é porque ela fez sexo. E o sexo ainda é um tabu nessa sociedade hipócrita. Assim, essa mulher “pecadora” não é digna de tornar-se mãe, um ser tão sublime e angelical, que tudo faz por seus filhos.

Então, a forma de “purificar” a mulher grávida, tirar dela a culpa, a fim de que ela ocupe essa nova posição, é fazê-la sofrer, sentir uma dor imensa, literalmente rasgar-se ao meio por seu rebento. Somente depois disso é que ela será digna de admiração e respeito.

Mas o homem, que também fez sexo, nenhuma punição sofre. Pelo contrário, é supervalorizado por ser tão viril e fértil.

Acontece que eu não me sinto pecadora por ter feito sexo, nem acho que mereça qualquer punição por isso, ou que precise me submeter a um procedimento extremamente doloroso, porque as outras pessoas pensam que é o certo a fazer.

Não amo menos minha filha por optar pela cesárea. Não sou menos mãe ou menos mulher por isso. Quem vai parir sou eu, é o meu corpo, eu tenho o direito de decidir como desejo que seja nosso parto, e quero ser respeitada por isso.

Minha gravidez tão desejada

Desde a última vez em que meu coração transbordou pra essas linhas, muita coisa aconteceu. E a mais bonita delas é a chegada da minha filha Isis. Estou prestes à dá-la à luz. Quantos anos eu sonhei e esperei esta gravidez!

Com 8 meses, provavelmente completarei 28 anos antes da minha filha nascer. Sem emprego, sem dinheiro, e no contexto da pandemia do Covid-19, incrivelmente não tenho nada para me queixar. Meus pais, meus sogros, meus avós e muitos familiares meu e do meu namorado foram incríveis, e nos ajudam muito. Mesmo sem condições de nos provermos sozinhos, à minha família nada falta. Temos uma casa pra morar, comida na mesa, e muito, muito mais do que precisamos. Mais do que isso, porém, temos um lar, preenchido com muito amor, afeto e respeito.

Há pelo menos cinco anos eu espero nossa filha chegar. Inúmeras vezes já sonhei que era mãe, e acordei sentindo um amor que mal cabia no peito. Eu sabia que ela viria. Só não imaginava que seria uma linda menina. Por dois anos, nos diversos sonhos que tive, em todos eu segurava um menino nos braços. Depois disso, minha expectativa de ter uma menina diminuiu, e comecei a me preparar pra receber meu filho. Pra minha surpresa, quando abrimos o exame de sexagem fetal, estava claramente escrito: sexo feminino!

Que surpresa! De repente, tanta coisa ficou diferente. Eu sou uma mulher consciente do que isso significa, de toda luta e beleza que precisamos carregar ao longo da vida. Já passei por muitas situações que, certamente, seriam evitadas, se eu tivesse nascido homem. E pra uma mãe que ama tanto sua bebê, em um primeiro momento, foi desesperador pensar em tudo que minha filha passaria ao longo da vida, pelo simples fato de ser mulher. Claramente, aposto minhas fichas na certeza de que ela será feminista, e que desde cedo vou prepará-la para a batalha da vida. Aos poucos, então, meu coração vai serenando.

Apenas agora, no último mês de gestação, minha alma encontrou paz, na minha confiança fortalecida na vida. Eu agradeço aos céus a bênção de ser mãe de uma menina, assim como sempre agradeci a bênção de ser tia de duas meninas incríveis. E peço a Deus que dê forças a todas nós.

terça-feira, 24 de março de 2020

Eu sou Feminista (ou fogo no patriarcado!)

Eu sou feminista. E nunca mais vou abaixar a cabeça pra nenhum filho da puta.
Desde que eu comecei este blog muita coisa mudou. Mataram a menina doce, porque ela não deixava espaço pra mulher forte que me obrigaram a ser.
As regras que a sociedade impõe a nós mulheres são inúteis pra que possamos nos defender em uma sociedade patriarcal e machista.
Ser educada e falar doce não me ajudou pelos últimos 27 anos. Então agora é voadora. É pé no peito.
Por mim. Pelas mulheres que eu amo. E por todas as mulheres.
Sou feminista porque senão seria masoquista. 

Não!

Mulher. Diga NÃO!
Eu NÃO acredito em todas as coisas ruins que dizem sobre nós.
Você ser livre NÃO te faz puta. Você ser independente NÃO te faz amedontadora. Você ser bem sucedida NÃO deve te fazer sentir vergonha.
Você é forte SIM. Você é linda SIM. Você é capaz SIM. Você é incrível SIM.

Quem deseja um mundo com mais mulheres AFRONTOSAS grita Amém!
E pras manas que ainda não se conscientizaram, estamos aqui por vocês também. Até que se juntem a nós na Luta.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Qual o seu maior medo?

O meu maior medo é perder as pessoas que eu mais amo nesse mundo. Meus avós já estão velhinhos, eu me preparo pra ir trabalhar longe de casa, longe dos meus pais e da minha irmã, onde não terei a oportunidade de ver minhas sobrinhas crescerem.
Eu os amo com cada célula do meu corpo, e cada pedacinho da minha alma. E só o pensamento de que um dia nós estejamos distantes demais dilacera meu coração.
Sempre soube que encontramos pessoas incríveis em nossa jornada, mas que o caminho que cada um precisa trilhar é único e, por vezes, não dá pra caminhar junto com os demais. As pessoas são presentes que Deus coloca na nossa vida, pra que o amor e a amizade que nos une nos faça fortes o bastante pra seguir. Mas não há posse. Não adiantam promessas. Não há garantias de que será para sempre. Apenas esses laços fraternais continuarão nos unindo, mas a presença física é temporária.
Ainda assim, não consigo me acostumar com a solidão, nem com a liberdade de deixar o outro seguir. O que me conforta é saber que todos os corações que se amam permanecem unidos.
Obrigada a todos que fizeram minha caminhada mais feliz. Meu coração está junto aos seus.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Quando eu morrer

Toda vez que alguém que a gente gosta morre, começamos a pensar na vida. Se tudo feito até então valeu a pena, e como eu gostaria de ter vivido, se tivesse outra chance.
Dizem que São Francisco de Assis estava regando as flores, quando alguém lhe perguntou:
- O que você faria se fosse morrer amanhã?
E ele respondeu:
- Exatamente o que estou fazendo agora.
Ele sabia viver como queria.
Infelizmente, minha resposta não seria a mesma. Provavelmente eu me queixaria de não estar em alguma praia paradisíaca e perder horas sentada em uma cadeira na sala de aula estudando, ou trancada em outra sala, no estágio, enquanto a vida passa lá fora.
Mas então, por que não estou na praia? Já ensaiei mil desculpas pra responder a essa pergunta – pra mim mesma: é a falta de dinheiro; a faculdade que ainda não terminou; a distância da família…
Mas desejo que essa seja uma reflexão ainda mais profunda que ir ou não morar na praia. Quem sentiria saudades se você partisse? Quantos amigos você deixou? Quais lembranças eles têm de você? Fez tudo o que desejou fazer?
Parece que não se trata apenas da morte. E sim de como vivemos a vida.
Sou espírita, tenho certeza da reencarnação, e isso me proporciona uma paz enorme.
Mas ainda assim, acredito que cada existência é uma experiência única. Nunca mais tudo será exatamente igual, terei outro corpo, outra família – talvez formada pelas mesmas pessoas, mas ainda assim diferente, viverei em outro lugar. Nada será como antes.
E você, como tem vivido?

Hipócritas!

Quase todos os dias eu sinto vontade de subir até o quarto mais alto da torre mais alta e gritar a plenos pulmões que eu odeeeeio viver em uma sociedade hipócrita!!!
Tanta coisa pra mim não faz sentido. Quem foi o filho da puta que inventou que a gente tem que viver assim? Pra começar, quem ler esse texto já deve estar se perguntando como uma menina, que deveria ser doce e gentil, fala palavrão assim. Inadmissível! Tudo que eu tenho a dizer sobre isso é: fodam-se as malditas regras sociais!
Não vivemos como gostaríamos, por medo do que as pessoas vão dizer e fazer com a gente. E como não ter medo, se até amar é perigoso hoje em dia? Se duas pessoas do mesmo sexo, ao saírem de mãos dadas nas ruas, têm altas chances de serem violentamente agredidas. Pelo menos é o que dizem as estatísticas, sobretudo no país que mais mata homo/transexuais no mundo.
Por outro lado, também não deixamos os outros serem livres. Uma vez que acreditamos seguir as regras do jogo, relegamos ao infortúnio quem não as segue. Pois não é justo que sejam felizes, ou que, pelo menos, tentem.
Não se engane, não falo apenas de sexualidade, é um mero exemplo. A coerção existe até nas coisas mais simples. Como meninas não dizerem palavrão e sentarem com as pernas cruzadas; como comprar um Iphone de última geração e gastar 6 meses inteiros de trabalho para pagá-lo; como postar nas redes sociais seu carro novo - mais caro e mais moderno.
Se você está feliz, parabéns! Mas não há necessidade de provar nada a ninguém. O problema é que todos acreditamos que há sim. De que vale curtir uma praia, ou ir a um bom (leia-se caro) restaurante, e até mesmo fazer uma aventura na selva, se não puder postar no instagram.
Não vejo problemas em dividir suas alegrias com quem você ama, e que te ama também, e torce pela sua felicidade. Acontece que 95% do seu instagram não é ocupado por essas pessoas. Mas sim por outros seres humaninhos que, como você, parecem viver em uma incessante competição.
Seria hipócrita da minha parte dizer que apenas vivo nessa sociedade, e não faço parte dela. Sim, a hipocrisia é uma presença constante na minha vida. Quanta coisa eu gostaria de mudar. Tenho medo de viver. E é preciso coragem para ser livre.
Todos os dias eu tento me libertar um pouquinho mais. Exemplo disso é que durante 15 anos eu fiz escova progressiva, porque na época não era moda cabelo cacheado, e eu achava que não podia sair de casa com minha “juba”, que ninguém me acharia bonita, e eu precisava me encaixar nos padrões. Afinal, todas as adolescentes tinham cabelos lisos. Mas há algum tempo passo pela “transição capilar”. E hoje, ainda faltando um bocado pra que meus cabelos fiquem como eu quero, quando me olho no espelho e vejo meus cachos, eu me sinto... livre! É uma sensação maravilhosa de olhar aquele reflexo e me reconhecer, ser eu mesma.
Uma vez li em algum lugar, ou talvez tenha escutado de alguém, que "quanto mais a gente tenta agradar os outros, mais se desagrada".
Desejo que a cada dia mais pessoas se rebelem contra esse sistema opressor, e se libertem. Que sejam livres, porque só assim se é verdadeiramente feliz. E que Deus nos proteja. Pois não será fácil.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Como sentir-se só?

Esteja sempre cercado de amigos. Seja popular. Tente agradar a todos, afinal, você é uma pessoa bacana! E jamais esqueça de ser engraçado. O palhaço da turma. Aquele que faz todo mundo rir e chora escondido no quarto quando a luz se apaga.
Nunca se permita ficar sozinho. O que vão pensar de você? É importante estar sempre na companhia de “amigos”. Mesmo que vocês não saibam sequer o que dizer um ao outro, ou não tenham o mínimo de afinidade.
Feche seus olhos pra tudo que não lhe agrada. Esqueça os valores. Aceite que as pessoas são diferentes, e cada um tem seu jeito de pensar. É natural.
Não, seu amigo não é um racista machista homofóbico nojento. É apenas alguém com opinião forte. E isso deve ser visto como uma qualidade.
Esteja sempre vestido com roupas da moda. Dirija carros caros. Viaje ao menos duas vezes por ano. Gaste muito dinheiro, para que todos vejam como você é bem-sucedido. E ignore completamente a dívida do cheque especial. Pois ninguém saberá.
Largue todas as atividades que gosta de fazer, todos os compromissos importantes pra você. Mas nunca recuse o convite para uma festa. Todos estarão lá. Você não pode faltar. Ainda que se pergunte o tempo todo “o que estou fazendo aqui?”

Siga todas essas dicas sem questionar, e, parabéns! Você terá descoberto exatamente como é se sentir só mesmo em meio a uma multidão.

Mas, se você não quiser sentir-se como um completo idiota: faça tudo do avesso de trás pra frente e ao contrário. Esqueça o que essa sociedade hipócrita vai pensar e dizer sobre você e faça apenas o que tiver vontade. Esteja perto de quem te ama e te faz bem, e seja uma boa companhia. Deixe de lado as aparências. Não aceite as migalhas que alguns têm a oferecer: nada de amores indecisos, de amizades traiçoeiras e de gente interesseira.
Saiba estar presente nos momentos importantes para quem você quer bem, sem que isso seja um peso para você. Respeite-se.
Não deixe que ninguém te diga o que você deve ou não fazer, nem mesmo eu nesse texto.
Viva uma vida da qual não se arrependerá.
E Boa Sorte!

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Senti sua falta

Senti saudades de você. Dos abraços apertados, do olhar de cumplicidade, das travessuras, dos segredos, dos passeios, das brigas. De tudo aquilo que não tivemos.
Você me fez falta. A mesma falta que eu te fiz.
De longe, eu sempre pensei em você. Olhava sua foto e imaginava como estaria hoje. Se gostaria de mim. De nós. Se seríamos amigos. Se ao olhar pra você eu enxergaria metade de mim.
Pensei mil vezes no que te dizer neste dia. Mas talvez um abraço falasse mais do que posso.
Por quanto tempo eu ainda teria de esperar?
Embora te procurasse, a vida saberia melhor a hora certa da gente se reencontrar.
E, de repente, aconteceu...
E foi melhor do que tudo que imaginei.
Como se nossas almas também fossem irmãs e há muito tempo esperassem esse reencontro. Só de olhar pros teus olhos eu soube o quanto gosto de você! Queria grudar e não largar nunca mais.
Meus dias agora têm mais da tua presença. Quero conversar, te ver, e te abraçar o dia inteirinho! {se você deixar}
Meu irmão! Finalmente te encontrei.
Senti sua falta, Rafael Ribeiro.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Depressão


Alguma coisa está errada comigo. Não estou feliz. Sinto raiva. Não era para ser assim. Tudo me deixa nervosa. Já suportei tanto, que deu. Eu me machuquei. Me importei demais com o que os outros iriam pensar, e esqueci de ouvir o que eu sentia. Gastei meu tempo com atividades "necessárias" que não me fizeram feliz. E toda vez que fiz algo prazeroso senti culpa. Por que?
Por que a gente aprende a viver infeliz e esperar a aposentadoria pra aproveitar a vida? Até lá não terei mais tanta saúde. Se é que ainda estarei viva.
Por isso eu tenho uma necessidade tão grande de me sentir viva todos os dias. Mas, quase sempre, não sinto nada. Nada. Estou cansada demais pra sentir.
Será que alguém é feliz? Será que alguém se importa tão pouco com as convenções sociais que consegue ser feliz por mais tempo?
Será que é a falta de praia? Não... quem é feliz e feliz em todo lugar. As pessoas que eu mais amo estão perto de mim. Mas isso não me faz feliz.
Eu não estou feliz. Estou exausta. De existir. De trabalhar. De estudar. De suportar. De ser mais ou menos. Nunca inteira. EXAUSTA.
Só sinto um grande vazio.

Campo Grande/MS,
30 de maio de 2019.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Eu sou louca por você!

Vinícius,
eu sou louca por você!
Dizem que o amor envolve um pouco de loucura. E acho que seja isso mesmo. Afinal, quando se ama, é como se os pés saíssem do chão por alguns segundos, e o coração saísse pela boca. Parece mesmo que o peito da gente é pequeno demais pra amar tão grande outra pessoa. A gente transborda.
Nessas horas, o coração grita tão alto, que silencia a razão. Pelo menos é o que alguém diria se olhasse de fora. Talvez dissessem mesmo que perdi o juízo. Pois que seja. Se for pra ter juízo e não ter você, minha escolha já foi feita.
É que eu enxergo o mundo de ponta cabeça, do avesso, e ao contrário. Louco pra mim é quem não se entrega de corpo e alma pra vida. É quem vive pensando no outro, e esquece de si. É quem agrada todos, menos ele próprio, que é o mais importante. Isso é ver e não enxergar.
Prefiro sentir todas as dores da vida a me manter anestesiada, inerte.
Eu gosto tanto de sentir! Às vezes, caminhando na rua, eu paro meus passos e fecho os olhos, só pra sentir o calor do sol na minha pele. Gosto de sentir os abraços apertados também.
Achei que hoje sentiria mais saudades. Afinal, por alguns dias você desgrudou de mim e foi voar por São Paulo - essa cidade tão fria pra mim [mas onde sei que ainda existe amor].
Só que a saudade tá encolhida num canto. Não sobrou lugar pra ela. A alegria que eu sinto de ver você realizar o que sempre sonhou, do jeitinho que imaginava, hoje toma muito espaço.
Sei que não pertencemos um ao outro. Por isso te deixo livre. E quanto mais eu repito essas palavras pra me convencer disso, mais ligada em você estou. Não é muito lógico, eu sei, mas é sincero quem disse que quanto menos você prende o outro, mais perto dele está.

Seja livre, seja feliz, meu ruivinho. Viva!
De quem te ama,

Pri.

Campo Grande/MS, 16 de abril de 2019.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

No começo da vida

Na minha certidão de nascimento diz que tenho 25 anos, fisicamente parece mesmo, mas espiritualmente estou mais velha que meu avô, de 86 anos. 

Desde que me conheço por gente sou uma menina sonhadora, com ímpetos de mudar o mundo. Quando criança, acho que acreditava ser possível. Mas aí... a gente vai crescendo e começa a questionar: "como alguém que não consegue sequer se sustentar pode mudar alguma coisa?". E assim perde a fé na própria capacidade.

Eu fazia mil dietas, e hoje me acho incapaz de fazer uma sequer. Jurava que aos 24 estaria em um bom emprego, casada e com filhos. Mas aos 25 estou esperando ser chamada em um estágio, namorando há 6 anos, e morando na casa dos meus avós.

Tanta coisa aconteceu nesses 25 anos. Só que as mais significativas delas se deram nos últimos cinco. Decidi fazer outra faculdade, e isso fez com que eu ficasse muito mais tempo sem um emprego de verdade. Também escolhi mudar de profissão dentro desse novo curso, porque os benditos estágios destruíram a visão romantizada que eu tinha da advocacia, o que virou meu mundo de ponta cabeça e me deixou desorientada até agora.

Lá no fundo eu nunca abandonei meu sonho de ser grande, sabe. Mesmo que na superfície eu me olhe no espelho todos os dias como se nunca pudesse realizar nenhum projeto, e merecesse ficar assim parada, como se simplesmente isso não estivesse no meu "destino", e eu fosse velha demais conseguir qualquer coisa bacana.

Desesperadamente minha alma grita dentro de mim. Implora para não ser mais aprisionada, para que eu simplesmente a escute, acredite na minha capacidade, e seja mais feliz. Que eu não me engane mais dizendo pra mim mesma que sou incapaz.

Ainda estou no começo da vida. E não é só porque tenho 25 anos. É que todo dia a gente pode recomeçar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Enxergar além

Eu sempre me emociono vendo filme de terror. Mas raramente sinto medo. É que penso que os espíritos que aterrorizam as pessoas o fazem porque estão sofrendo, e um dia vão perceber seus erros e agir melhor. Isso me faz lembrar que é preciso enxergar além. Os olhos veem pouco.

Quando vejo alguém pobre, como eu, logo penso que a pessoa deveria fazer algo para mudar de vida. Aí respiro fundo e lembro que essa pessoa vai além do dinheiro: é alegre, engraçado, trabalhador, honesto e educado - e isso independe da conta bancária.

Quando vejo uma obesa, penso que ela, assim como eu, como muito para esquecer a tristeza que carrega, ou substituí-la por um prazer momentâneo. Então recobro minha consciência e lembro que sequer a conheço, e talvez ela seja mais feliz que eu.

Quando vejo uma negra, logo me vem à cabeça a vida de militância dessa mulher, que não descansa nem ao menos um dia, pois simplesmente viver para ela é um ato de resistência. Então lembro que sou mulher e preta, só não me reconhecendo tanto nessa luta porque a pele um pouco mais clara me deixa num limbo - nem branca, nem preta - protetor e acovardante. No fundo, admiro a coragem dessa mulher.

Assim, até mesmo cego poderia ver que meu olhar sobre o outro é simplesmente um reflexo do que eu sou - e não aceito. Não é sobre o outro, é sobre mim e como lido com tudo isso. Diz respeito a autoestima, autoaceitação, amor, e aprendizado diário.

A poetisa

Era uma vez uma menina
que queria fazer poesia
achava aquilo tão bonito
mas não sabia sequer uma rima

Pensou que naquelas palavras
ela pudesse retratar
o turbilhão de sentimentos de sua'lma
e até a imensidão do mar

Que talvez aquelas letrinhas
mesmo parecendo pequenas
pudessem transportar quem lesse
pra outro tempo, outras eras

Talvez a menina pensasse
que assim seria compreendida
e todas as coisas que carrega no peito
pudessem ser divididas

Era um pedacinho dela
numa folha de papel
adoçando a vida da gente
como uma gota de mel

Só que a menina não sabia
entre tantas palavras
escolher suas preferidas
para as histórias contadas

Talvez cada letra daquela
também quisesse ser livre
e assim como ela
não pudesse se organizar.

domingo, 23 de setembro de 2018

Fotografia


Eu adoro calor... o sol tocando minha pele, aquele quentinho gostoso no rosto e um vento pra refrescar. Mas hoje está calor mesmo, daqueles dias em que a gente pinga suor se ficar dentro de casa. Pois eu estava. Resolvi organizar os velhos álbuns de fotografia.

Dificilmente os vejo. Tive uma vida muito feliz [e ainda tenho]. Só que prefiro evitar a nostalgia, e relembrar o que não volta. Às vezes isso causa uma pontinha de tristeza. Eu nunca mais serei aquela criança de olhos brilhantes que faz pose pra foto, nem meus pais serão casados outra vez, e nenhum de nós que está ali voltará a ser jovem. Por isso tudo, a fotografia me fascina. Ela é mais eficiente que nós ao guardar as recordações.

Com o passar dos anos, muita coisa se apaga da nossa memória, embora ainda possamos nos lembrar mais nitidamente de outras. Mas, quando certos momentos são registrados em uma foto, e depois de muito tempo podemos vê-la, aquelas mesmas emoções que sentimos voltam a palpitar no nosso coração. Talvez isso explique porquê preferimos registrar os momentos felizes.

Ah... maldita câmera digital. Quantos momentos desses ficaram perdidos em algum lugar do passado. Antes eram 36 oportunidades, de cada vez, para registrar a vida. E ainda que não ficássemos tão bem, não importava. Hoje, há milhões de registros que dificilmente são revelados. Fazemos poses, alteramos as imagens para que fiquem melhores aos olhos dos outros, e esquecemos que a lembrança é da gente, não deles. E é pra nós que ela importa mais.

Hoje, ao rever tanta vida que tem significado pra mim, não fiquei triste. Senti gratidão pelo que passou. Além disso, me deu um friozinho na barriga ao pensar em todos os bons momentos que ainda virão para serem registrados.  A vida é curta demais para não ser vivida com alegria e para não ser eternizada em uma foto.

Assim, com esse sentimento de que é preciso viver e ser feliz, saí com minha prima debaixo do sol escaldante e fomos comprar picolés. Quando voltamos pra casa, naqueles poucos instantes em que saboreávamos as delícias feitas de leite entre as conversas com nossos avós e a insistência do Scooby para que déssemos mais picolé a ele, pensei que esse era um bom dia para ser lembrado.

Depois, vim pra casa do meu namorado; e, entre um semáforo e outro, eu me perdi nos meus pensamentos imaginando o dia do nosso casamento; as datas festivas em que receberíamos os amigos em casa; a oportunidade de ver nascer e crescer nossos filhos que eu tanto amo; e outros milhões de momentos que merecerão uma foto e uma lembrança. Que beleza de vida!

Sabe, eu sou espírita, e acredito que não terminamos com a nossa morte. Há uma infinidade nos esperando depois dela. Centenas de outras encarnações, cheias de surpresas boas. Mas nem por isso eu me permito perder essas pequeninas alegrias. Pois posso até ter muitas outras vidas, mas nunca igual a essa. E isso torna tudo especial.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O conhecimento liberta a alma


E minha alma quer ser livre.

Tenho pensado muito em ser professora. Depois de tantos anos estudando, sinto que começo a aprender coisas realmente importantes. E na minha ansiedade por mudar o mundo, talvez ensinar seja a minha pequena revolução.

Outro dia assisti ao filme "Uma professora muito maluquinha", baseado em um livro do Ziraldo. Desde a década de 40, a professora Catarina Roque era revolucionária. Contou histórias sobre as personalidades do mundo de maneira divertida; levou os alunos ao cinema para conhecerem a vida de Cleópatra; foi estudar geografia com eles em cima do morro pra que vissem que o mundo é maior que os livros; compreendeu suas angústias e os acolheu - ensinou um código para que as meninas pudessem escrever bilhetinhos sem que os meninos pudessem ler seus segredos; ensinou que é preciso lutar pelo amor e pela felicidade - ao desafiar as professoras que invejavam seus métodos e ao fugir com o padre que era o grande amor da sua vida; mostrou que todos eram importantes ao premiar cada aluno com uma medalha, reconhecendo o que eles sabiam fazer de melhor.

Porém, o melhor que ela fez por aquelas crianças foi ensinar que elas poderiam saber mais, sobre tudo o que quisessem, tinham um mundo a descobrir, e poderiam fazer isso por meio da leitura - na época ainda não tinham inventado a internet. Catarina fez o melhor que pode, e mostrou que quando ela fosse embora eles ainda poderiam sonhar e ser o que quisessem, pois só dependeria deles realizar. Esse é o verdadeiro papel do professor. Ajudar o outro a se libertar.

domingo, 9 de setembro de 2018

Tempo para mim


Hoje eu pude apreciar a minha companhia, me olhar no espelho, cuidar de mim por alguns instantes. Parece que há "séculos" eu não tenho tempo para mim. Quanto mais os anos passam, mais responsabilidades aparecem, mais obrigações, e eu ocupo cada minuto do meu dia tentando ser e fazer o que os outros esperam que eu faça. 

Tenho 25 anos, e estou fazendo a segunda facudade - a primeira me deixou tão infeliz que qualquer coisa seria melhor que passar todos os meus dias chorando. Alguns dizem que isso é capricho, ou devem pensar que é preguiça da trabalhar; mas não me importo, eu sei que foi falta de opção mesmo. 

Vou à aula de manhã, almoço na faculdade, e vou direto para o estágio. Tem dias que volto para uma aula à noite, ou alguma palestra. Outras vezes vou para a casa do meu namorado. Mas normalmente venho pra casa. Chego absolutamente cansada, ainda tenho trabalhos a fazer e conteúdos de prova a serem estudados. E é assim que eu tento sobreviver todos os dias.

Aos finais de semana, sequer vejo o tempo passar. Mais provas e trabalhos, lavar roupa, sapato, carro, limpar a casa. Quando pisco, já acordo na segunda-feira. 

Continuo tentando sobreviver. Ser uma boa namorada, boa filha, boa neta, boa irmã, boa tia, boa madrinha, boa estudante, boa estagiária. Às vezes não consigo ser boa para mim.

A cada dia que passa, perco um pouco mais as minhas boas amizades. Simplesmente porque minhas amigas não trabalham e estudam ao mesmo tempo - mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é - e não conseguem compreender porquê eu recuso praticamente todos os convites pra sair.

Talvez eu nunca tenha dito isso a nenhuma delas - não tão claramente. Mas é porque eu tenho mil e uma coisas pra fazer e o pouco tempo que me resta gostaria de descansar, repor as minhas energias, e ficar com a minha família, pois mesmo quem mora na mesma casa que eu fica um bom tempo sem me ver; até que eu decido deixar todo o resto pra lá, sentar e conversar.

Não é que eu não goste de vocês, nem que eu tenha ficado "metida" - isso me dá até um arrepio de pensar. Eu simplesmente estou fazendo tudo que está ao meu alcance. Porém, não consigo ter tempo para todos.

Olha que eu já tirei da minha agenda as aulas de dança, as sessões de cinema, os cuidados de beleza, a procrastinação sem fim, as visitas aos demais familiares - e milhares de outras coisas. 

Por que eu escolhi essa vida? Porque eu desejo mudar o mundo. Eu quero ser importante. Mas tem dias que isso cansa, e eu penso "deixa pra outra pessoa tentar mudar esse mundo, vai. Hoje eu só quero mesmo sentir que ainda estou aqui pra mim".

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Amar é um ato de coragem


Outro dia eu estava no centro espírita com minha família, ouvindo a palestra. Tenho duas sobrinhas - a Maria, que tem 2 anos; e a Manu, que tem 4 meses. Como toda criança cheia de saúde, a Maria não para quieta. Quer correr pra todo lado, interagir com as pessoas, e conversar.

Ela estava começando a falar faz pouco tempo, então cada palavrinha dita em casa era uma festa. Deve ter pensado: "que legal! eles adoram quando eu falo". E adoramos mesmo! Mas ninguém explicou pra ela que quando estamos no meio da palestra no centro é preciso ficar em silêncio pra que as pessoas possam entender o que está sendo dito.

Algumas pessoas levam esse negócio de silêncio tão a sério que esquecem que estão ali para aprender a amar, e realmente se irritam com as crianças. Então, de repente, lançam aquele olhar desafiador pra nós, como que dizendo: "esses aí não sabem educar uma criança. façam ela ficar quieta". Pois é. Eu também achava que era fácil. Até minhas sobrinhas nascerem. Portanto, não julguem.

Fiquei apreensiva, pensando se aquelas pessoas poderiam me bater ali no centro. Juro que, se tivesse um buraco no chão, minha cabeça já estaria ali dentro há séculos, só com o rabinho de fora, que nem ema. Mas, como podem imaginar, felizmente não tinha. Evita a humilhação isso.

No desespero, coloquei a fralda na boca da minha sobrinha, meio que de brincadeira, pra ver se ela parava de falar. Nem achei que fosse tão errado isso. Mas nessa hora minha mãe me olhou e disse: "Priscila, para com isso". Aquilo calou fundo na minha alma.

Na hora percebi que, por causa daquelas pessoas impacientes eu estava deixando de ser gentil com minha sobrinha, que é só uma criança, que não sabe que precisa ficar em silêncio, e que achou que nos deixaria felizes se conversássemos. Que vergonha senti!

Mais que isso, eu percebi que minha mãe não se importava se todos ali estavam contrariados. Ela nem ligou. Só cuidou pra que a Maria estivesse bem. Naquela hora entendi que isso era amor. Foi nesse dia que percebi que amar é um ato de coragem.

E mesmo que as outras pessoas não entendam, você sabe porquê ama. Ah... aqueles bracinhos, aquele sorriso e os olhos dela olhando nos meus. Como é bom ouvir a Maria dizer "diinda" quando eu chego.

Perdão minha princesinha. Sua dinda sente muito por esse dia. Mas agora eu aprendi a te amar sem me importar com as adversidades.

Quero ir além de mim


Eu sempre quis que minha vida fosse além de mim. Recebo tanto da vida! E há tantas pessoas precisando só de um pouquinho de luz... 

É um sentimento de alma. Uma necessidade de que a minha existência não tenha sido em vão. Talvez seja vaidade. Mas, no fundo, quero acreditar que é bem mais que isso. Não é que eu seja mais especial que as outras pessoas. Todos são especiais. É que nem todo mundo se deu conta disso ainda, ou não teve oportunidade de descobrir.

Simplesmente não consigo viver só pra mim. Todos os dias ainda acordo com meu coração latejando, com  vontade de mudar o mundo. E absolutamente todo dia me pergunto o que eu posso fazer para transformá-lo em um lugar melhor. Às vezes eu até posso ver uma luz que me ilumina por dentro e não pode mais ser apagada. É como se uma chama estivesse acesa no meu peito. Tão aconchegante.

Sempre procuro as melhores palavras pra expressar o que tô sentindo. Mas meu vocabulário ainda é tão pobre. Então empresto as palavras dos outros. Tem uma música que eu gosto muito, em inglês. Já vi a tradução várias vezes, mas alguns trechos ainda me escapam da memória. Por vezes mais sinto que penso nela. O importante dessa canção é o refrão dela; diz assim: "pegue sua vela e vá iluminar o mundo. vá para a escuridão, procure aqueles que estão só e abandonados; os pobres. Erga sua vela bem alto e ilumine o mundo!".

EU QUERO ILUMINAR O MUNDO. Com minha pequena chama. Com minha pequena luz. E com todo o amor que eu tenho aqui dentro do peito.

A questão é que estou mais pra um vagalume nesse mundão de Deus. Com uma luz ainda fraca. Mas não importa. Tenho certeza de que somos milhões de vagalumes! Não estou só. E quando a gente ilumina os outros, não é pra eles ficarem à nossa sombra. Não. É só um incentivo pra que eles acendam as próprias luzes e também iluminem por sua vez.

Outro dia me disseram que esse negócio de querer ir além da gente se chama "legado". É algo que faz com que, mesmo quando a gente morrer, ainda esteja bem vivo de alguma forma, nas coisas boa que fizemos e que outras pessoas continuarão. Talvez. Mas não acho essa palavra - "legado" - muito bonita. Parece um peso que tenho que carregar. Luz não. Eu gosto de luz. É leve. E não obriga ninguém a continuar nada. Cada um já tem os próprios afazeres.

Sou feliz, pois tenho muita luz pra iluminar esse mundo.

Mais amor por favor




Parece que o mundo virou de ponta cabeça, e os valores sociais estão invertidos. O ódio, a intolerância e a discriminação estão mais visíveis na sociedade. E isso me preocupa. Todos fingem ser felizes nas redes sociais, mas parecem mais interessados em aparentar a felicidade do que de fato senti-la. Nós vivemos em grupo e deveríamos cuidar uns dos outros, só que, ao invés disso, nos deixamos doentes.

Hoje eu decidi ser saudável mentalmente e feliz. E não há nada que vá me impedir.

Há alguns meses estou desconectada das redes sociais, e tem me feito bem. Lá não é um ambiente que reflete a realidade da vida. As pessoas postam apenas o que acham conveniente que as outras saibam, com o objetivo de competirem para ver quem tem uma vida melhor.