segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Não sou obrigada


Como os relacionamentos modernos são efêmeros. Às vezes você nem tinha visto que a pessoa mudou o status do Facebook pra lance sério e ela já está solteira outra vez. Ninguém mais esquenta lugar. Nessas horas até bate aquela nostalgia e quase que sem querer vem o velho lugar comum.. “antigamente não era assim”. Mas o que mudou então?

Antigamente as pessoas casavam mais cedo e as relações eram mais duradouras. Uma vida inteira às vezes. Um do lado do outro, comendo sal juntos (como diz minha vó). Anos e anos de alegrias e muitas vezes de uma vida bem mais difícil (não havia toda a comodidade que as tecnologias nos proporcionam hoje em dia).

Porém, naquela época, que felizmente ficou pra trás, nós mulheres não tínhamos reconhecidos os direitos que temos hoje. Não podíamos escolher estudar mais, ou trabalhar fora de casa, ganhar seu próprio sustento e ter independência financeira. Ficávamos a mercê dos nossos maridos depois do casamento.

Também éramos educadas pra “consertá-los”, ao invés de “descartá-los” (como é mais comum hoje). Mas o que isso significava? Muitas vezes fechar os olhos às traições e outros desrespeitos com os quais éramos tratadas. Sermos cordiais, amáveis, excelentes donas de casa, irrepreensíveis pela sociedade. E, por que não dizer, não raramente infelizes.

Não digo que todos os casamentos eram assim. Afinal, sou uma romântica incurável e acredito no amor verdadeiro, em relacionamentos cheios de cumplicidade, alegria, companheirismo e afeto. Sempre haverá casais que se amam e são felizes juntos. E, pra esses, nem a eternidade é tempo suficiente pra estar ao lado da pessoa amada.

Eu me refiro àquelas mulheres que engoliam muitos sapos mas jamais pensavam em se divorciar por medo de serem julgadas e condenadas pela sociedade (pois ela não perdoa). E por isso esqueciam-se de suas próprias vontades, de seu bem-estar e seu amor próprio.

Foi isso que mudou. Hoje em dia não importa mais o que a sociedade pensa (até porque os julgamentos já não são tãaao ferrenhos assim). Mulheres têm mais oportunidades de trabalho e independem do marido para seu sustento. Também aprendemos que antes de amá-los, precisamos amar a nós mesmas. Não somos obrigadas a viver uma vida amargurada, infeliz, de aparências. Vivemos sempre em busca da nossa felicidade.

Os homens também mudaram. Pelo menos alguns. E os mais espertos já se deram conta de que pra manter a mulher moderna ao seu lado é preciso suar a camisa, conquistá-la todos os dias, ser gentil, romântico, educado e sempre uma boa companhia.

Queremos ser cobertas de amor, afeto, respeito. Não nos sujeitamos mais a ficar ao lado de alguém que não nos faça o mais feliz que podemos ser. Buscamos relacionamentos saudáveis como nossas emoções e pensamentos.

Portanto, fica a dica: se quer uma princesa ao seu lado, seja um príncipe para ela. 

Ai que medo!


Neste exato momento minhas pernas tremem meu coração acelera minha respiração fica ofegante e minha vontade é sair correndo. MEDO. Morro de medo de escrever. E quando escrevo, tenho mais medo ainda que você leia. Escrevo e apago e demoro a acreditar que daqui pode sair um texto realmente bom.

E olha que esse não é meu único medo. Tenho muitos outros na coleção. Se bem que alguns já foram descartados. E, por mais apavorante que pareça, sabe como eles foram simplesmente riscados da lista? Eu os enfrentei!

Eu sei. A pior coisa pra dizer a alguém medroso é: “você tem medo disto? Pois então vá lá e faça”. Mas não é que funciona mesmo?!

Medo é nada mais que uma insegurança causada pela falta de conhecimento ou de prática em determinada atividade. Pois quando você tem certeza que dá conta do recado, aí amigo, é so correr pro abraço.

Por exemplo… Eu entrei este ano em um grupo de teatro, mesmo tendo uma convicção inabalável de que era uma péssima atriz. Isto porque da última vez que lembrava estar em um palco, tinha apenas três falas, esqueci absolutamente todas!, e tive que improvisar. Talvez ninguém tenha percebido a gafe, pois não conheciam o texto mesmo (pra minha sorte), mas o trauma ficou em mim.

No primeiro espetáculo, estrelei como árvore (minha família achou lindo, tá?). Cantei, dancei e não dei um passinho sequer pra for a da minha zona de conforto, pois não tinha nenhuma fala. Agora, nesta peça, começamos com aquelas dinâmicas assustadoras (aquelas que quando chega a hora da vontade de dar no pé e se esconder no primeiro buraco que encontrar pela frente de tanta vergonha). Eu, novamente tinha três falas, e, acredite se puder: esqueci o texto de novo! Então dei um sorrisinho amarelo e disse “peraí, esqueci o texto”, como se fizesse parte do script. Todos riram. Pensei: eu sou sóda!! Erro e ainda arranco gargalhadas da platéia. Mas logo o riso virou pranto (tá bom,  tô exagerando). Mas levei uma esfregada por não ter improvisado e continuado a cena. (E eu que achei que estava abafando).

Se eu fiquei com vergonha porque falaram sobre o meu deslize por meia hora e me usaram como exemplo do que nunca fazer em cena? Imagina.. claro que SIM. Porém, aprendi uma lição: se der tudo errado na hora da peça, não cague ainda mais na cena, please! E isso hoje me deixa mais segura. Porque posso ainda não saber o que fazer, mas já sei o que não fazer.

E quer saber? Perdi o medo! O pior já passou mesmo (pelo menos por enquanto) e não foi assim tãaao ruim quanto eu imaginei que fosse.

Isso me faz criar coragem pra enfrentar meus medos. E é o que estou fazendo agora. Pois se este texto não ficar assim tão profissa quanto os do Jorge Amado, com um pouco de treino e paciência estarão cada vez menos piores até o dia em que fiquem bons!

E eu gostei. Até porque minhas pernas já estão menos trêmulas, meu coração bate no compasso normal e minha respiração está mais contida. O medo passou. E se ele voltar, ensino uma lição pra esse danadinho. Deixa comigo!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê


Ter um amor.. quem não quer um pra chamar de seu? Mô, mozão, mozim. Alguém pra dar presente no dia dos namorados, pra dividir a conta do cinema e do restaurante, pra mudar o status do Facebook. Mas será que é só isso mesmo?! Pra algumas pessoas a reposta é clara: sim! Elas seguem aquele pensamento de “antes mal acompanhada que só” ou ainda “ruim com ele pior sem ele”(como minha vó se refere ao aparelho auditivo dela).

Por isso vemos tantas pessoas entrando numa barca furada achando que são o Jack e a Rose do Titanic. Ficam juntas por costume, porque ele tem dinheiro, ela é boa de cama, ou ainda porque não estava fazendo nada mesmo… melhor “aproveitar”. Isso é mais comum do que a gente imagina.

Mas meu sonho não quer se contentar com tão pouco. Quero um amor daqueles dos romances que eu leio.. onde o mocinho e a mocinha enfrentam o mundo inteiro, sofrem, choram, mas no final ficam juntos. Ah, isso é tão água com açúcar... tão ultrapassado. Mas é lindo. O problema é que não é sempre que se vive uma história de amor tão fofis como essa.

Então vamos para o amor real. Aquele de acordar toda desgrenhada do lado do amado, de pegar ônibus junto, de cuidar do outro quando ele está doente. Afinal, nem tudo são flores em um namoro ou casamento. Mas também tem os momentos fofinhos, quando ele te dá flores e bombons e diz que você é a mulher mais linda do mundo. Quando você encontra uma cartinha na sua bolsa com uma declaração de amor. Quando você quase mata ele de tanta raiva que fica e no final descobre que tudo era uma bela surpresa.

E apesar de não estarmos naufragando no Titanic ou enfrentando os vilões que tentam nos separar (na maioria das vezes o problema somos nós mesmos), ainda assim é bonito estar com meu namorado. Quando eu vou dormir a voz dele é a última que eu ouço. Quando tenho um compromisso sei que ele vai fazer o possível pra estar comigo. Não importa se eu more numa casa luxuosa ou num barraquinho, eu sei que ele vai se sentir muito feliz de me visitar. Seja pra ir a um restaurante fino ou só passear de mãos dadas na praça, sempre vai ser especial. Eu tenho alguém que vai estar comigo na rua na chuva na fazenda ou numa casinha de sapê (de sapê).

E num belo texto que eu li, descobri que amor é construção, em que a gente deposita um tijolo por dia e tem que colocar bastante argamassa pra sustentar. Que as almas gêmeas são aquelas que a gente já aprendeu a amar. Porque “o amor não é uma criação de segundos, mas uma aquisição de milênios”. Amar dá trabalho, tem de suar a camisa, ter paciência. Cuidar desse sentimento como se ele fosse uma samambaia bebê (essa minha amiga viu num filme), que precisa ser regada todos os dias pra crescer bem bonita.

E quem sabe um dia, no meio da calmaria, não venha o turbilhão de uma história de amor de folhetim.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Fugir para lugar nenhum




Quero ir para um lugar desconhecido, onde apenas minha companhia seja habitual. Novos ares, novos mares. Novas cores e amores. Energia renovada.

E na brisa da alvorada, no vento frio tocando meu rosto, sentir como se tudo fosse tão distante e ao mesmo tempo tão familiar.

Sentir que voltei ao início de tudo, de onde não deveria ter saído.

A solidão seria minha companhia. Meu desafio, fazer novos amigos. Sem cobranças, sem preocupações, sem esperar nada em troca.

Aqui, meu conhecido é desconhecido. Minha claridão é cega. Meu seguro é flutuante. Meu pseudoamor errante.

Lá seria tudo diferente, um espaço e um tempo pra descobrir a gente. Descobrir tanto que eu me veja como nunca vi, como nunca ninguém viu.

Sem memória, sem história. Só o presente de presente.

As lembranças deixo no caminho. Como uma rosa cheia de espinhos, que sempre fere quem tenta encontrar sua beleza.

Quem sabe um dia eu volte. Quem sabe descubra que o caos faz parte de mim. E sem isso tudo eu possa arriscar não ser eu.

Mas neste instante. Minha vontade de ir é apaixonante, como quando se quer descobrir os novos gostos do amado, que assim distante, é imaculado. E que pode me levar ao céu ou ao chão.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pinte e borde sua história


Quero preencher essa folha de papel em branco com tudo que gostaria que preenchesse minha vida.

Pra começar, nada menos que um milhão de amigos, sejam eles de antes, de agora ou de depois, tenho certeza que terei muitos deles.

Junto com essas letras escrevo também a história da minha vida, mas quem disse que ela precisa ficar só no papel?

Parece só uma folha, mas se eu olhar mais de perto vejo sair dela um universo de sonhos. Ora, lá estou eu voando no tapete mágico, depois andando de elefante. Ali eu de novo dentro do meu castelo de areia, quando de repente começa a chover algodão doce e eu saio pra experimentar, cai num rio de chocolate e fiquei horas lá, nadando nadando. Até que o dia acabou, a noite caiu e junto com ela a lua do céu, fui conhecer, ela tinha sabor de queijo, com um suave toque de geleia de morango.

Mamãe me chamou pra dormir, tive que acordar dos meus sonhos.

Só então olhei o papel e percebi que a folha continuava branca. Vamos dar um pouco mais de cor nisso aqui. Uma caixa de giz de cera azul amarelo verde roxo rosa laranja e vermelho!

E um grito, de alegria, só pra quebrar o silêncio.

Tive então a ideia de colocar um pouco mais de sentimento, despejei no papel todo meu amor, respeito, carinho, compreensão e ternura. Mas deixei respingar um pouco da vaidade e da ambição. Quem sabe a borracha apague?

Mamãe me chama de novo pra dormir.

Já vou mãezinha, só estou procurando motivos pra acordar sorrindo.

Da janela do meu quarto


Sozinha no meu quarto sento-me diante da janela. O vento esvoaçante sopra em meus cabelos, o sol esquenta minha face e aquece minha alma. Quase inevitavelmente um sorriso curioso se abre, imaginando o que eu poderei encontrar quando abrir os olhos. Um mundo que eu posso imaginar, posso ver, mas talvez nunca possa desvendar.

Mesmo assim persisto, fascinada por esse mistério. De alguma forma eu sei que o que me faz sentir viva, de uma maneira tão forte que me faz queimar por dentro, também está presente nas pessoas do outro lado da janela. 

Penso em quantas histórias já se passaram em quantas janelas. Janelas altas dos prédios de onde eu posso ver o a cidade toda ou baixas que dão de frente para a casa dos meus vizinhos. Janelas com vista para lindos jardins ou que dão de frente para um muro. Grandes janelas que me dão uma ampla visão ou ainda uma pequena fresta do vitrô do banheiro. 

Têm as de madeira; as de ferro; aquelas que são uma porta dividida ao meio com apenas a parte de cima aberta; também de vidro que mesmo fechadas permitem enxergar através delas; as de avião, nas quais parece até dar para ver as nuvens derretendo e tudo parece tão pequenino visto lá de cima; janelas de ônibus, carros, trens, pelas quais a paisagem é que da a impressão de ir depressa. 

Lembro-me de um tipo especial de janela, aquele que acorrenta a alma e muito mais do que ver a vida do outro lado, faz refletir sobre os caminhos da própria vida. São aquelas que têm grades, as das prisões. Ao mesmo tempo imagino como elas fazem sonhar com a liberdade.

Já outras pessoas, se sentem tão livres, que acham que podem voar das janelas, como se tivessem asas e acabam descendo o mais que podem. Talvez por isso, em prédios muito altos, outros tipos de grades, as de segurança, roubam um pouco de liberdade também.

Mas muitas vezes, ficar à janela pode trazer sentimentos que fazem o coração palpitar. Muitas moças que esperavam que seus pretendentes as avistassem debruçadas na janela inspiraram bonecas artesanais apelidadas “namoradeiras”. Elas têm apenas cabeça, ombros, braço e busto e ficam sobre uma superfície plana, com o rosto apoiado em uma das mãos, em sinal de espera. Uma homenagem singela a um gesto que com certeza rendeu muitas histórias.

Também me vem à cabeça a imagem de senhoras sentadas em suas cadeiras de balanço em um final de tarde em uma cidade pequena, comendo bolo de milho carinhosamente preparado e tomando um café bem forte, dos quais é possível sentir o cheiro fresco e quente ainda da rua. Saindo do trabalho, ao passar em frente à janela, não tanto pela fome, mas pela água na boca, apresso os passos para chegar logo em casa, esperando que minha mãe também tenha preparado algo que eu possa não simplesmente comer, mas apreciar.

Essas senhoras continuam lá sentadas, porém com o olhar atento, na tentativa de captar todos os movimentos de cada um que por ali passa. Com alguma dificuldade, procuram encontrar algo novo, que possa ser comentado, em uma prosa para acompanhar o bolo de milho e o café. Pode parecer algo até sem importância, mas se a conversa for enviesada pelo caminho certo, as conclusões podem ser esclarecedoras, não apenas para as doces senhoras, e sim para a humanidade, se ela seguisse suas recomendações. Pelo menos é no que elas acreditam. Talvez seja só mais um simples diálogo, ou também um olhar mais atencioso e acalentador sobre a sociedade.

Há dias em que todos se movimentam até o parapeito da janela. Seja para ver o show que acontece na praia, ou para ver o bloco de carnaval passar, como se estivesse em um camarote particular. Assistir a um cortejo, desfile, carreata, procissão, passeata. Gritar para mostrar aos vizinhos como está feliz com a vitória do seu time e quem sabe até pendurar uma bandeira lá, principalmente se for torcida da seleção brasileira em época de copa do mundo.

O que chama a atenção pode não estar propriamente na janela, mas abaixo dela. O  romantismo de rapazes apaixonados já motivou muitas serenatas. Algumas de um homem solitário e seu violão e outras de vários amigos e um em especial que queria cantar e encantar o coração de alguma moça. Os vizinhos, caso não fossem tão românticos, é que poderiam ficar um tanto aborrecidos, principalmente porque as serenatas eram feitas à noite em sua maioria. Mas no amor, é válido.

As janelas invadem até o imaginário das crianças, principalmente das meninas, que sonham com o príncipe encantado. As princesas estão sempre aprisionadas no quarto mais alto da torre mais alta esperando o resgate dos amados. E a Rapunzel, muito esperta, aproveitava a janela, que era a única entrada e saída para o seu quarto, para jogar suas longas tranças para o príncipe subir e se encontrarem. 

Enquanto uns entram, outros saem. São várias as situações em que se foge pela janela. Alguns vão embora com o amor da sua vida. Outros escapam por uma noite para ir a uma festa. E há também os ricardões que pulam a janela para fugir dos maridos que chegam mais cedo em casa.

A utilidade da janela realmente deve ser ressaltada. Além de seu uso nos momentos de desespero, alguns a utilizam para pendurar roupas, algumas vezes até peças íntimas, por mais estranho que possa parecer, é comum, principalmente quando se mora em apartamento. Algumas peças, no entanto, têm um significado diferente, se for um pano preto, por exemplo, pode ser sinal de luto. E para alegrar a vista, muitos a enfeitam com flores.

Em uma janela em especial é possível fazer quase tudo que a imaginação permite. Nela podemos inventar, construir e criar nossos sonhos. Através dela podemos entrar em contato com as pessoas mais distantes, podemos ver e ouvir, mas não tocar. Conhecemos cidades, países, pessoas diferentes das que estão nas janelas à nossa frente e viajamos sem sair de onde estamos. De frente para ela, estamos em vários lugares ao mesmo tempo e não saímos do lugar. Ela é a janela virtual.

Abrir a janela virtual, assim como qualquer outra, significa abrir-se para o mundo, ver e deixar que te vejam. O mais importante é que você escolhe. Escolhe o quanto quer se relacionar, trocar, o que tem a oferecer e o que deseja receber nessa experiência. Pode escolher se sua vista vai ser para a cidade toda, para a rua, para a casa do vizinho que você gosta ou da sua melhor amiga. Pode ainda decidir quando abrir ou fechar sua própria janela, selecionando seus momentos.

O medo faz com que fechemos a janela. Nas noites escuras, o desconhecido parece nos fragilizar e sentimos a necessidade de ficar trancados, acreditando que estamos em segurança. No entanto, uma fresta de luz do sol em meio à escuridão do quarto faz com que tenhamos vontade de escancarar a janela para aproveitar o lindo dia que brilha lá fora.

Abro a janela do meu quarto, timidamente vou puxando a cortina, sinto o cheiro de terra molhada que vem lá de fora. É a chuva se aproximando. Ouço o barulho do trovão e chego a me arrepiar, debruço-me sobre ela de braços abertos e começa a chover. A água invade a casa, molha os móveis, o chão e a mim; abro a boca e tento distinguir o gosto da água da chuva das outras águas, mas me parece igual. Por alguns segundos, não penso em mais nada.  Minhas roupas molhadas e o vento me fazem sentir frio. Fecho então a janela, de alma lavada.

Quando eu acordar pela manhã


Quando eu levantar da cama pela manhã quero abrir a janela e sentir o sol esquentar meu corpo e a brisa mansa soprar minh'alma.

E sorrir pela alegria de acordar novamente e me dar conta, de repente, do quão maravilhosa é a vida.

Quando eu me sentar à mesa do almoço que eu saiba alimentar não só o corpo mas o espírito. E preenchê-lo com um banquete de ternura, esperança e amor.

Que eu tenha tempo de sentar em uma cadeira de balanço em frente à pequena casinha de madeira e apreciar o pôr-do-sol.

Que eu nunca cegue meus olhos para a beleza desses pequenos grandiosos momentos e enxergue a beleza da criação.

E que quando chegar a hora de dormir eu possa recostar a cabeça no travesseiro com a certeza que amei o mais que pude nas últimas 24h.