domingo, 9 de setembro de 2018

Tempo para mim


Hoje eu pude apreciar a minha companhia, me olhar no espelho, cuidar de mim por alguns instantes. Parece que há "séculos" eu não tenho tempo para mim. Quanto mais os anos passam, mais responsabilidades aparecem, mais obrigações, e eu ocupo cada minuto do meu dia tentando ser e fazer o que os outros esperam que eu faça. 

Tenho 25 anos, e estou fazendo a segunda facudade - a primeira me deixou tão infeliz que qualquer coisa seria melhor que passar todos os meus dias chorando. Alguns dizem que isso é capricho, ou devem pensar que é preguiça da trabalhar; mas não me importo, eu sei que foi falta de opção mesmo. 

Vou à aula de manhã, almoço na faculdade, e vou direto para o estágio. Tem dias que volto para uma aula à noite, ou alguma palestra. Outras vezes vou para a casa do meu namorado. Mas normalmente venho pra casa. Chego absolutamente cansada, ainda tenho trabalhos a fazer e conteúdos de prova a serem estudados. E é assim que eu tento sobreviver todos os dias.

Aos finais de semana, sequer vejo o tempo passar. Mais provas e trabalhos, lavar roupa, sapato, carro, limpar a casa. Quando pisco, já acordo na segunda-feira. 

Continuo tentando sobreviver. Ser uma boa namorada, boa filha, boa neta, boa irmã, boa tia, boa madrinha, boa estudante, boa estagiária. Às vezes não consigo ser boa para mim.

A cada dia que passa, perco um pouco mais as minhas boas amizades. Simplesmente porque minhas amigas não trabalham e estudam ao mesmo tempo - mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é - e não conseguem compreender porquê eu recuso praticamente todos os convites pra sair.

Talvez eu nunca tenha dito isso a nenhuma delas - não tão claramente. Mas é porque eu tenho mil e uma coisas pra fazer e o pouco tempo que me resta gostaria de descansar, repor as minhas energias, e ficar com a minha família, pois mesmo quem mora na mesma casa que eu fica um bom tempo sem me ver; até que eu decido deixar todo o resto pra lá, sentar e conversar.

Não é que eu não goste de vocês, nem que eu tenha ficado "metida" - isso me dá até um arrepio de pensar. Eu simplesmente estou fazendo tudo que está ao meu alcance. Porém, não consigo ter tempo para todos.

Olha que eu já tirei da minha agenda as aulas de dança, as sessões de cinema, os cuidados de beleza, a procrastinação sem fim, as visitas aos demais familiares - e milhares de outras coisas. 

Por que eu escolhi essa vida? Porque eu desejo mudar o mundo. Eu quero ser importante. Mas tem dias que isso cansa, e eu penso "deixa pra outra pessoa tentar mudar esse mundo, vai. Hoje eu só quero mesmo sentir que ainda estou aqui pra mim".

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Amar é um ato de coragem


Outro dia eu estava no centro espírita com minha família, ouvindo a palestra. Tenho duas sobrinhas - a Maria, que tem 2 anos; e a Manu, que tem 4 meses. Como toda criança cheia de saúde, a Maria não para quieta. Quer correr pra todo lado, interagir com as pessoas, e conversar.

Ela estava começando a falar faz pouco tempo, então cada palavrinha dita em casa era uma festa. Deve ter pensado: "que legal! eles adoram quando eu falo". E adoramos mesmo! Mas ninguém explicou pra ela que quando estamos no meio da palestra no centro é preciso ficar em silêncio pra que as pessoas possam entender o que está sendo dito.

Algumas pessoas levam esse negócio de silêncio tão a sério que esquecem que estão ali para aprender a amar, e realmente se irritam com as crianças. Então, de repente, lançam aquele olhar desafiador pra nós, como que dizendo: "esses aí não sabem educar uma criança. façam ela ficar quieta". Pois é. Eu também achava que era fácil. Até minhas sobrinhas nascerem. Portanto, não julguem.

Fiquei apreensiva, pensando se aquelas pessoas poderiam me bater ali no centro. Juro que, se tivesse um buraco no chão, minha cabeça já estaria ali dentro há séculos, só com o rabinho de fora, que nem ema. Mas, como podem imaginar, felizmente não tinha. Evita a humilhação isso.

No desespero, coloquei a fralda na boca da minha sobrinha, meio que de brincadeira, pra ver se ela parava de falar. Nem achei que fosse tão errado isso. Mas nessa hora minha mãe me olhou e disse: "Priscila, para com isso". Aquilo calou fundo na minha alma.

Na hora percebi que, por causa daquelas pessoas impacientes eu estava deixando de ser gentil com minha sobrinha, que é só uma criança, que não sabe que precisa ficar em silêncio, e que achou que nos deixaria felizes se conversássemos. Que vergonha senti!

Mais que isso, eu percebi que minha mãe não se importava se todos ali estavam contrariados. Ela nem ligou. Só cuidou pra que a Maria estivesse bem. Naquela hora entendi que isso era amor. Foi nesse dia que percebi que amar é um ato de coragem.

E mesmo que as outras pessoas não entendam, você sabe porquê ama. Ah... aqueles bracinhos, aquele sorriso e os olhos dela olhando nos meus. Como é bom ouvir a Maria dizer "diinda" quando eu chego.

Perdão minha princesinha. Sua dinda sente muito por esse dia. Mas agora eu aprendi a te amar sem me importar com as adversidades.

Quero ir além de mim


Eu sempre quis que minha vida fosse além de mim. Recebo tanto da vida! E há tantas pessoas precisando só de um pouquinho de luz... 

É um sentimento de alma. Uma necessidade de que a minha existência não tenha sido em vão. Talvez seja vaidade. Mas, no fundo, quero acreditar que é bem mais que isso. Não é que eu seja mais especial que as outras pessoas. Todos são especiais. É que nem todo mundo se deu conta disso ainda, ou não teve oportunidade de descobrir.

Simplesmente não consigo viver só pra mim. Todos os dias ainda acordo com meu coração latejando, com  vontade de mudar o mundo. E absolutamente todo dia me pergunto o que eu posso fazer para transformá-lo em um lugar melhor. Às vezes eu até posso ver uma luz que me ilumina por dentro e não pode mais ser apagada. É como se uma chama estivesse acesa no meu peito. Tão aconchegante.

Sempre procuro as melhores palavras pra expressar o que tô sentindo. Mas meu vocabulário ainda é tão pobre. Então empresto as palavras dos outros. Tem uma música que eu gosto muito, em inglês. Já vi a tradução várias vezes, mas alguns trechos ainda me escapam da memória. Por vezes mais sinto que penso nela. O importante dessa canção é o refrão dela; diz assim: "pegue sua vela e vá iluminar o mundo. vá para a escuridão, procure aqueles que estão só e abandonados; os pobres. Erga sua vela bem alto e ilumine o mundo!".

EU QUERO ILUMINAR O MUNDO. Com minha pequena chama. Com minha pequena luz. E com todo o amor que eu tenho aqui dentro do peito.

A questão é que estou mais pra um vagalume nesse mundão de Deus. Com uma luz ainda fraca. Mas não importa. Tenho certeza de que somos milhões de vagalumes! Não estou só. E quando a gente ilumina os outros, não é pra eles ficarem à nossa sombra. Não. É só um incentivo pra que eles acendam as próprias luzes e também iluminem por sua vez.

Outro dia me disseram que esse negócio de querer ir além da gente se chama "legado". É algo que faz com que, mesmo quando a gente morrer, ainda esteja bem vivo de alguma forma, nas coisas boa que fizemos e que outras pessoas continuarão. Talvez. Mas não acho essa palavra - "legado" - muito bonita. Parece um peso que tenho que carregar. Luz não. Eu gosto de luz. É leve. E não obriga ninguém a continuar nada. Cada um já tem os próprios afazeres.

Sou feliz, pois tenho muita luz pra iluminar esse mundo.

Mais amor por favor




Parece que o mundo virou de ponta cabeça, e os valores sociais estão invertidos. O ódio, a intolerância e a discriminação estão mais visíveis na sociedade. E isso me preocupa. Todos fingem ser felizes nas redes sociais, mas parecem mais interessados em aparentar a felicidade do que de fato senti-la. Nós vivemos em grupo e deveríamos cuidar uns dos outros, só que, ao invés disso, nos deixamos doentes.

Hoje eu decidi ser saudável mentalmente e feliz. E não há nada que vá me impedir.

Há alguns meses estou desconectada das redes sociais, e tem me feito bem. Lá não é um ambiente que reflete a realidade da vida. As pessoas postam apenas o que acham conveniente que as outras saibam, com o objetivo de competirem para ver quem tem uma vida melhor.

Hoje é dia de passar vergonha

 

Dia difícil logo pela manhã. Acordei atrasada e vim correndo pra faculdade. Precisava pegar um trabalho que meu namorado imprimiu pra mim e chegar a tempo de entregá-lo para o professor. Na pressa, quando vi meu namorado estacionei o carro em local proibido, liguei o pisca-alerta, estendi a mão pra pegar as folhas e sair logo dali antes de ser flagrada infringindo as leis de trânsito.

Ah se eu soubesse.. teria evitado a vergonha. Meu namorado - que vive passando no sinal vermelho - resolveu gritar a plenos pulmões: "isso é ridículo. não acredito que você vai parar em local proibido. pode estacionar em outro lugar ou não vou te entregar os papeis". ÓTIMO. Eu fiquei furiosa - mesmo sabendo que estava fazendo coisa errada - e estacionei bufando de raiva, enquanto o segurança da faculdade assistia minha vergonha de camarote e dava uma "risadinha". Aff. Emputecida, mal falei com meu namorado, vim pra aula pra não chegar mais atrasada, e mandei um "textão" esculhambando ele no whatsapp.

Poxa vida, sei que muitas vezes também trato mal as pessoas que me amam [Só pode ser um mal do ser humano - quando sabemos que a pessoa vai estar ali apesar de todas as dificuldades, achamos que podemos descontar nossas frustrações e tratá-las sem a devida gentileza]. Mas isso está errado. Todos precisamos aprender a ser gentis com os outros, principalmente com aqueles de quem gostamos. Afinal, já basta o mundo, que deixa a desejar em matéria de gentileza.

Depois, na sala de aula, tento ser paciente e prestar atenção ao que a professora explica [mesmo achando que nosso sistema de ensino falido usa métodos arcaicos e lutando todos os dias pra levantar pra cama e vir pra faculdade, como quem se submete à uma tortura]. Mas meu pensamento borbulha, e fico aqui me perguntando como mudar o mundo e levar conhecimentos úteis para as pessoas que precisam.

Aí, no meio da aula, enquanto vejo projetos de algumas ONGs - como o Politize!, ótima por sinal - abre um vídeo aleatório com uma mulher falando "na américa latina e no caribe blablabla" e, como eu tinha esquecido de deixar o computador no mudo, todos - inclusive a professora - tiveram a mais absoluta certeza de que eu não estava prestando atenção na aula. Mais um constrangimento que poderia ser evitado.

Depois disso, não satisfeita com o abalo emocional que a minha autoestima já teve hoje - e olha que ainda são 10 da manhã! - resolvi escrever outra vez no blog. Ensaio tanto! E nunca escrevo. Por vergonha.

Mesmo sabendo que meu público é zero, tenho receio de que alguém leia as confissões mais íntimas da minha alma aqui e me julgue por isso. Só que hoje eu cansei. Podem me julgar. Sou mais que seus julgamentos.

Sabe, todos os dias a vida me presenteia. Tenho aprendido lições maravilhosas que mudaram completamente meu jeito de ver a vida e a minha maneira de pensar. São tantas coisas boas que eu tenho vontade de sair por aí,  gritando pro mundo as descobertas que batem à minha porta. É como se minha alma tivesse tão preenchida agora que transbordasse. E sinto uma necessidade enorme de fazer com que as outras pessoas também possam desfrutar de todas as alegrias que tenho tido ultimamente.

Enfim.. esse texto foi só pra lembrar que eu estou viva. E estou de volta. E vou escrever, ainda que meus textos não se comparem à literatura de Jorge Amado. Vou escrever pela simples necessidade de dividir os pensamentos que se multiplicam. Vou escrever porque desejo me libertar do medo e da vergonha - que nada mais é do que o medo do que pensam de mim. Escrevo por rebeldia. Para incentivar minha coragem. E libertar minha alma. Por isso escrevo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Nossa alma é nosso lar


Fecho o livro, já estamos quase chegando. Apressada, corro à porta e espero alguns instantes. Ela se abre e eu sei que finalmente estou quase de volta ao lar! Olhos espertos (como de pomba, já diz meu avô), certifico-me de que posso atravessar. Os dedinhos já apertados na sapatilha pedem descanso, a mochila nas costas, em um ombro só, agora parece um pouco mais pesada, e a calça jeans já prende minha circulação. A passos rápidos, apresso-me na direção, não sem contemplar a beleza do pôr do sol qual feito uma criança agradecida a Deus pelo belo espetáculo.

Assim, lá se vão duas quadras. Quando viro a esquina, a rua vazia, e então a árvore na calçada de casa parece ter crescido aos meus olhos. Como um corredor que aspira à placa de chegada, corro em sua direção com o coração farto de alegria. Os pés agora deslizam com mais facilidade na rua onde recentemente os trabalhadores da prefeitura taparam os buracos. Diferentemente, a calçada de casa já está em pedaços, como coração mal amado, por cauda da raiz da frondosa árvore, e eu acho até charmoso.

Quando levanto os olhos, já posso ver nossa velha casinha de madeira azul da cor do céu e, ansiosa por ir ao seu encontro, coloco as pequenas mão no frio da grade de ferro, abrindo o caminho. Tiro os sapatos, e nos pequenos metros que nos separam, vou sentindo o cheirinho de verde, e a maciez da grama – como quem pisa em uma nuvem. De repente meus ouvidos escutam um barulho bem familiar, e posso ver correndo na minha direção o cachorro que late com alegria pela minha volta e traz entre os dentes seu brinquedo.

Após uns minutos de afagos, abraços e brincadeiras, amenizada a saudade, prossigo a caminhada nos poucos metros que nos separam. Sua madeira desgastada guarda tanta vida, tanta história! Pois recordando o passado sei que meus avós te construíram com as próprias mãos e suor e, depois de muitos anos, foram meus tios, meus pais, amigos e até um pouquinho eu quem te demos cara nova, de cor azul e pisos brancos, como o vestido novo de uma dama, tecido à mão com carinho. Tudo isso pra combinar com o jardim de flores e as plantas que te cercam. Com a terra molhada que inebria o ar quando chove. Com a terra fértil onde tudo que se planta se colhe.

Talvez sejamos inspirados por ela que nesses anos todos resolvemos plantar tanto amor dentro de ti. Por isso então que mais do que construir paredes, edificamos o lar dentro dos corações da nossa família. Só isso explica porque ao entrar meu coração bate mais forte e eu finalmente posso me sentir em paz num lugar tranquilo.

Até que uma pergunta me vem à mente, recordando da placa de vende-se que há pouco pairava nas grades do seu portão. Como? Nenhum dinheiro seria capaz de trazer à tona tantos sentimentos bons. E, provavelmente quem te comprasse te daria destino certo. Faria cair por terra nossos sonhos, e te derrubaria ao chão para construir uma casa mais moderna em seu lugar.

De que importa? Quem sabe você seja um pouco como nós, humanos, pelos quais a agente edifica o amor na alma e mesmo quando a morte nos assole, ele estará vivo em nós. Permaneceriam as recordações dos bons momentos aqui vividos.

Porque nós somos tais quais casas, construídas com suor esforço e muito trabalho, proviemos de um material divino. Ficamos velhos e um dia já não servirá mais este grosso envoltório que nos compõe. Mas ainda sinto que, nesse dia, no dia em que a matéria não importe mais tanto assim, seremos mais ricos. Porque não são as máquinas, nem as pessoas, nem o tempo ou a vida que destruirão tudo que somos  e fizemos de bom, pois eles já estarão pra sempre edificados em nós. Nosso corpo é nossa casa, mas nossa alma é nosso lar!

segunda-feira, 28 de março de 2016

Viva a Vida!

 
Na correria do nosso dia a dia sempre faltam horas e sobram afazeres. Estudar trabalhar limpar a casa cuidar das crianças fazer compras pagar contas ficar bonita manter-se saudável malhar. Ufa! É tanta coisa que só de pensar já passa um filme na nossa cabeça e um frio na barriga. E como é bom ao final do dia considerar-se cumpridor de todos os deveres. Excelente! Mas, amigo, abra os olhos. A VIDA É MUITO MAIS QUE ISSO. E a pergunta que não quer calar é: o que realmente importa quando chegamos ao fim dela?

Serão os almoços em família e os aniversários de criança que perdemos porque tínhamos uma prova ou um trabalho importante a fazer? Ou ainda todo aquele dinheiro na conta do banco que poderíamos ter gasto em uma viagem inesquecível? Talvez seja aquela conversa na varanda em um fim de tarde que não existiu porque estávamos cansados demais pra passar um tempo conversando com quem a gente ama? Ou a sobremesa deliciosa que deixamos de comer por causa da dieta fitness?

Não, eu não estou dizendo que precisamos jogar para o alto todas as nossas responsabilidades e fazer apenas o que nos é prazeroso. Longe de mim! É claro que precisamos trabalhar ou não teremos dinheiro para sobreviver, precisamos estudar ou não vamos adquirir todo conhecimento do qual necessitamos. Eu só acredito que, entre tantos deveres, deveríamos lembrar o direito que temos de ser feliz.

Afinal, no fim da vida o que realmente importa são esses pequenos instantes. São eles que nos proporcionam desfrutar de doces recordações e reviver esses prazeres. É o momento que passamos com nossa família, o riso solto das piadas que podem nem ser tão engraçadas assim, aquele mico que na hora faz a gente querer enfiar a cabeça num buraco mas que depois vira diversão. São as histórias que teremos pra contar.

É como uma colcha de retalhos na qual costuramos um pedacinho todo dia. O álbum de fotos que guarda as recordações que por vezes nossa cabeça esquece. A carta de um amigo querido que nos emociona a cada palavra. A canção que serviu de trilha sonora para o romance.

A travessura malsucedida, a fuga cinematográfica e o castigo ainda mais digno de filme. O tombo que você levou quando aprendemos a andar de bicicleta e o machucado que não sarava porque você tirava sempre a casquinha. O flashback que foi de Bonde do Tigrão à É o Tchan em que você dançou todas as coreografias. O videokê em que seu tio cantava panela velha e você Sandy e Júnior ou Mamonas Assassinas. A cumplicidade das suas amigas que iam com você comprar absorvente e te ajudavam a escondê-lo em várias sacolas dentro da bolsa. O tampo do dedo que você perdeu marcando aquele golaço na pelada do asfalto. A franja que ficou mais curta do que deveria. A primeira vez na praia olhando a imensidão daquele mar sem fim. Os infindáveis meses estudando pro vestibular; a decepção de não ter passado e a alegria da aprovação. O primeiro salário do primeiro emprego. A rosa que ganhou do namorado acompanhada de um bilhete super fofinho. A briga com seu melhor amigo e a alegria da reconciliação. O dia em que descobre que tudo que seus pais fizeram foi realmente pensando no seu bem, mesmo eles não sendo perfeitos como você e todo mundo também não são. E o muito mais que anda há pra ser vivido. Tudo isso faz o que você é.

Dizem que, no último instante, fazemos uma retrospectiva de tudo que já vivemos. E daí pode surgir o arrependimento justamente por não ter vivido como gostaríamos. Então, não espere o momento em que não se possa mais recomeçar (não nesta vida), e faça hoje o que amanhã você desejará ter feito.