terça-feira, 16 de abril de 2019

Eu sou louca por você!

Vinícius,
eu sou louca por você!
Dizem que o amor envolve um pouco de loucura. E acho que seja isso mesmo. Afinal, quando se ama, é como se os pés saíssem do chão por alguns segundos, e o coração saísse pela boca. Parece mesmo que o peito da gente é pequeno demais pra amar tão grande outra pessoa. A gente transborda.
Nessas horas, o coração grita tão alto, que silencia a razão. Pelo menos é o que alguém diria se olhasse de fora. Talvez dissessem mesmo que perdi o juízo. Pois que seja. Se for pra ter juízo e não ter você, minha escolha já foi feita.
É que eu enxergo o mundo de ponta cabeça, do avesso, e ao contrário. Louco pra mim é quem não se entrega de corpo e alma pra vida. É quem vive pensando no outro, e esquece de si. É quem agrada todos, menos ele próprio, que é o mais importante. Isso é ver e não enxergar.
Prefiro sentir todas as dores da vida a me manter anestesiada, inerte.
Eu gosto tanto de sentir! Às vezes, caminhando na rua, eu paro meus passos e fecho os olhos, só pra sentir o calor do sol na minha pele. Gosto de sentir os abraços apertados também.
Achei que hoje sentiria mais saudades. Afinal, por alguns dias você desgrudou de mim e foi voar por São Paulo - essa cidade tão fria pra mim [mas onde sei que ainda existe amor].
Só que a saudade tá encolhida num canto. Não sobrou lugar pra ela. A alegria que eu sinto de ver você realizar o que sempre sonhou, do jeitinho que imaginava, hoje toma muito espaço.
Sei que não pertencemos um ao outro. Por isso te deixo livre. E quanto mais eu repito essas palavras pra me convencer disso, mais ligada em você estou. Não é muito lógico, eu sei, mas é sincero quem disse que quanto menos você prende o outro, mais perto dele está.

Seja livre, seja feliz, meu ruivinho. Viva!
De quem te ama,

Pri.

Campo Grande/MS, 16 de abril de 2019.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

No começo da vida

Na minha certidão de nascimento diz que tenho 25 anos, fisicamente parece mesmo, mas espiritualmente estou mais velha que meu avô, de 86 anos. 

Desde que me conheço por gente sou uma menina sonhadora, com ímpetos de mudar o mundo. Quando criança, acho que acreditava ser possível. Mas aí... a gente vai crescendo e começa a questionar: "como alguém que não consegue sequer se sustentar pode mudar alguma coisa?". E assim perde a fé na própria capacidade.

Eu fazia mil dietas, e hoje me acho incapaz de fazer uma sequer. Jurava que aos 24 estaria em um bom emprego, casada e com filhos. Mas aos 25 estou esperando ser chamada em um estágio, namorando há 6 anos, e morando na casa dos meus avós.

Tanta coisa aconteceu nesses 25 anos. Só que as mais significativas delas se deram nos últimos cinco. Decidi fazer outra faculdade, e isso fez com que eu ficasse muito mais tempo sem um emprego de verdade. Também escolhi mudar de profissão dentro desse novo curso, porque os benditos estágios destruíram a visão romantizada que eu tinha da advocacia, o que virou meu mundo de ponta cabeça e me deixou desorientada até agora.

Lá no fundo eu nunca abandonei meu sonho de ser grande, sabe. Mesmo que na superfície eu me olhe no espelho todos os dias como se nunca pudesse realizar nenhum projeto, e merecesse ficar assim parada, como se simplesmente isso não estivesse no meu "destino", e eu fosse velha demais conseguir qualquer coisa bacana.

Desesperadamente minha alma grita dentro de mim. Implora para não ser mais aprisionada, para que eu simplesmente a escute, acredite na minha capacidade, e seja mais feliz. Que eu não me engane mais dizendo pra mim mesma que sou incapaz.

Ainda estou no começo da vida. E não é só porque tenho 25 anos. É que todo dia a gente pode recomeçar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Enxergar além

Eu sempre me emociono vendo filme de terror. Mas raramente sinto medo. É que penso que os espíritos que aterrorizam as pessoas o fazem porque estão sofrendo, e um dia vão perceber seus erros e agir melhor. Isso me faz lembrar que é preciso enxergar além. Os olhos veem pouco.

Quando vejo alguém pobre, como eu, logo penso que a pessoa deveria fazer algo para mudar de vida. Aí respiro fundo e lembro que essa pessoa vai além do dinheiro: é alegre, engraçado, trabalhador, honesto e educado - e isso independe da conta bancária.

Quando vejo uma obesa, penso que ela, assim como eu, como muito para esquecer a tristeza que carrega, ou substituí-la por um prazer momentâneo. Então recobro minha consciência e lembro que sequer a conheço, e talvez ela seja mais feliz que eu.

Quando vejo uma negra, logo me vem à cabeça a vida de militância dessa mulher, que não descansa nem ao menos um dia, pois simplesmente viver para ela é um ato de resistência. Então lembro que sou mulher e preta, só não me reconhecendo tanto nessa luta porque a pele um pouco mais clara me deixa num limbo - nem branca, nem preta - protetor e acovardante. No fundo, admiro a coragem dessa mulher.

Assim, até mesmo cego poderia ver que meu olhar sobre o outro é simplesmente um reflexo do que eu sou - e não aceito. Não é sobre o outro, é sobre mim e como lido com tudo isso. Diz respeito a autoestima, autoaceitação, amor, e aprendizado diário.

A poetisa

Era uma vez uma menina
que queria fazer poesia
achava aquilo tão bonito
mas não sabia sequer uma rima

Pensou que naquelas palavras
ela pudesse retratar
o turbilhão de sentimentos de sua'lma
e até a imensidão do mar

Que talvez aquelas letrinhas
mesmo parecendo pequenas
pudessem transportar quem lesse
pra outro tempo, outras eras

Talvez a menina pensasse
que assim seria compreendida
e todas as coisas que carrega no peito
pudessem ser divididas

Era um pedacinho dela
numa folha de papel
adoçando a vida da gente
como uma gota de mel

Só que a menina não sabia
entre tantas palavras
escolher suas preferidas
para as histórias contadas

Talvez cada letra daquela
também quisesse ser livre
e assim como ela
não pudesse se organizar.

domingo, 23 de setembro de 2018

Fotografia


Eu adoro calor... o sol tocando minha pele, aquele quentinho gostoso no rosto e um vento pra refrescar. Mas hoje está calor mesmo, daqueles dias em que a gente pinga suor se ficar dentro de casa. Pois eu estava. Resolvi organizar os velhos álbuns de fotografia.

Dificilmente os vejo. Tive uma vida muito feliz [e ainda tenho]. Só que prefiro evitar a nostalgia, e relembrar o que não volta. Às vezes isso causa uma pontinha de tristeza. Eu nunca mais serei aquela criança de olhos brilhantes que faz pose pra foto, nem meus pais serão casados outra vez, e nenhum de nós que está ali voltará a ser jovem. Por isso tudo, a fotografia me fascina. Ela é mais eficiente que nós ao guardar as recordações.

Com o passar dos anos, muita coisa se apaga da nossa memória, embora ainda possamos nos lembrar mais nitidamente de outras. Mas, quando certos momentos são registrados em uma foto, e depois de muito tempo podemos vê-la, aquelas mesmas emoções que sentimos voltam a palpitar no nosso coração. Talvez isso explique porquê preferimos registrar os momentos felizes.

Ah... maldita câmera digital. Quantos momentos desses ficaram perdidos em algum lugar do passado. Antes eram 36 oportunidades, de cada vez, para registrar a vida. E ainda que não ficássemos tão bem, não importava. Hoje, há milhões de registros que dificilmente são revelados. Fazemos poses, alteramos as imagens para que fiquem melhores aos olhos dos outros, e esquecemos que a lembrança é da gente, não deles. E é pra nós que ela importa mais.

Hoje, ao rever tanta vida que tem significado pra mim, não fiquei triste. Senti gratidão pelo que passou. Além disso, me deu um friozinho na barriga ao pensar em todos os bons momentos que ainda virão para serem registrados.  A vida é curta demais para não ser vivida com alegria e para não ser eternizada em uma foto.

Assim, com esse sentimento de que é preciso viver e ser feliz, saí com minha prima debaixo do sol escaldante e fomos comprar picolés. Quando voltamos pra casa, naqueles poucos instantes em que saboreávamos as delícias feitas de leite entre as conversas com nossos avós e a insistência do Scooby para que déssemos mais picolé a ele, pensei que esse era um bom dia para ser lembrado.

Depois, vim pra casa do meu namorado; e, entre um semáforo e outro, eu me perdi nos meus pensamentos imaginando o dia do nosso casamento; as datas festivas em que receberíamos os amigos em casa; a oportunidade de ver nascer e crescer nossos filhos que eu tanto amo; e outros milhões de momentos que merecerão uma foto e uma lembrança. Que beleza de vida!

Sabe, eu sou espírita, e acredito que não terminamos com a nossa morte. Há uma infinidade nos esperando depois dela. Centenas de outras encarnações, cheias de surpresas boas. Mas nem por isso eu me permito perder essas pequeninas alegrias. Pois posso até ter muitas outras vidas, mas nunca igual a essa. E isso torna tudo especial.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O conhecimento liberta a alma


E minha alma quer ser livre.

Tenho pensado muito em ser professora. Depois de tantos anos estudando, sinto que começo a aprender coisas realmente importantes. E na minha ansiedade por mudar o mundo, talvez ensinar seja a minha pequena revolução.

Outro dia assisti ao filme "Uma professora muito maluquinha", baseado em um livro do Ziraldo. Desde a década de 40, a professora Catarina Roque era revolucionária. Contou histórias sobre as personalidades do mundo de maneira divertida; levou os alunos ao cinema para conhecerem a vida de Cleópatra; foi estudar geografia com eles em cima do morro pra que vissem que o mundo é maior que os livros; compreendeu suas angústias e os acolheu - ensinou um código para que as meninas pudessem escrever bilhetinhos sem que os meninos pudessem ler seus segredos; ensinou que é preciso lutar pelo amor e pela felicidade - ao desafiar as professoras que invejavam seus métodos e ao fugir com o padre que era o grande amor da sua vida; mostrou que todos eram importantes ao premiar cada aluno com uma medalha, reconhecendo o que eles sabiam fazer de melhor.

Porém, o melhor que ela fez por aquelas crianças foi ensinar que elas poderiam saber mais, sobre tudo o que quisessem, tinham um mundo a descobrir, e poderiam fazer isso por meio da leitura - na época ainda não tinham inventado a internet. Catarina fez o melhor que pode, e mostrou que quando ela fosse embora eles ainda poderiam sonhar e ser o que quisessem, pois só dependeria deles realizar. Esse é o verdadeiro papel do professor. Ajudar o outro a se libertar.

domingo, 9 de setembro de 2018

Tempo para mim


Hoje eu pude apreciar a minha companhia, me olhar no espelho, cuidar de mim por alguns instantes. Parece que há "séculos" eu não tenho tempo para mim. Quanto mais os anos passam, mais responsabilidades aparecem, mais obrigações, e eu ocupo cada minuto do meu dia tentando ser e fazer o que os outros esperam que eu faça. 

Tenho 25 anos, e estou fazendo a segunda facudade - a primeira me deixou tão infeliz que qualquer coisa seria melhor que passar todos os meus dias chorando. Alguns dizem que isso é capricho, ou devem pensar que é preguiça da trabalhar; mas não me importo, eu sei que foi falta de opção mesmo. 

Vou à aula de manhã, almoço na faculdade, e vou direto para o estágio. Tem dias que volto para uma aula à noite, ou alguma palestra. Outras vezes vou para a casa do meu namorado. Mas normalmente venho pra casa. Chego absolutamente cansada, ainda tenho trabalhos a fazer e conteúdos de prova a serem estudados. E é assim que eu tento sobreviver todos os dias.

Aos finais de semana, sequer vejo o tempo passar. Mais provas e trabalhos, lavar roupa, sapato, carro, limpar a casa. Quando pisco, já acordo na segunda-feira. 

Continuo tentando sobreviver. Ser uma boa namorada, boa filha, boa neta, boa irmã, boa tia, boa madrinha, boa estudante, boa estagiária. Às vezes não consigo ser boa para mim.

A cada dia que passa, perco um pouco mais as minhas boas amizades. Simplesmente porque minhas amigas não trabalham e estudam ao mesmo tempo - mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é - e não conseguem compreender porquê eu recuso praticamente todos os convites pra sair.

Talvez eu nunca tenha dito isso a nenhuma delas - não tão claramente. Mas é porque eu tenho mil e uma coisas pra fazer e o pouco tempo que me resta gostaria de descansar, repor as minhas energias, e ficar com a minha família, pois mesmo quem mora na mesma casa que eu fica um bom tempo sem me ver; até que eu decido deixar todo o resto pra lá, sentar e conversar.

Não é que eu não goste de vocês, nem que eu tenha ficado "metida" - isso me dá até um arrepio de pensar. Eu simplesmente estou fazendo tudo que está ao meu alcance. Porém, não consigo ter tempo para todos.

Olha que eu já tirei da minha agenda as aulas de dança, as sessões de cinema, os cuidados de beleza, a procrastinação sem fim, as visitas aos demais familiares - e milhares de outras coisas. 

Por que eu escolhi essa vida? Porque eu desejo mudar o mundo. Eu quero ser importante. Mas tem dias que isso cansa, e eu penso "deixa pra outra pessoa tentar mudar esse mundo, vai. Hoje eu só quero mesmo sentir que ainda estou aqui pra mim".